Ontologia da vida e ontologia fundamental
O problema da clivagem entre existência e ente vivo
DOI:
https://doi.org/10.36942/rfim.v6i1.1539Palavras-chave:
Vida, Ser-Aí, OntologiaResumo
No parágrafo 10 de “Ser e tempo”, Martin Heidegger delimita a analítica existencial para diferenciá-la da psicologia, da antropologia filosófica, da própria biologia e também das filosofias da vida. Deste modo o autor tem o intuito de renovar o ponto de partida teórico do ente que nós mesmo somos, afastando o leitor da ideia de pessoa, alma, consciência, espírito e etc. O intuito deste artigo é discutir como o problema de vida é apresentado neste parágrafo, pois, se de um lado a analítica existencial não pode ser uma filosofia sobre a vida, pois se pretende investigar o sentido de ser a partir da prévia compreensão de ser que somente o ser-aí tem, por outro, Heidegger também aponta uma via para a investigação ontológica da vida a partir da ontologia do ser-aí. O problema é que a vida não é nem um ente simplesmente dado [Vorhandenen] nem um manual [Zuhandenes] e nem o ser-aí. Ela é um “peculiar modo-de-ser somente acessível ao ser-aí”, mas que não se reduz a ele e nem se reduz aos entes simplesmente dados. Heidegger acreditava que a analítica existencial poderia suprir as carências da própria filosofia da vida, ao conseguir atingir a via de acesso ao sentido de ser, contudo, essa articulação não foi desenvolvida em nenhuma parte da obra do autor deixando com que este conceito tenha um lugar incerto na ontologia em geral.
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