Ironia e Apreciação
Tieck diante de Kierkegaard
DOI:
https://doi.org/10.36942/rfim.v6i1.1540Palavras-chave:
Kierkegaard, Tieck, Romantismo, Ironia Romântica, AutoriaResumo
O presente artigo examina a crítica de Søren Kierkegaard ao poeta romântico Ludwig Tieck. Busca-se compreender a relação ambígua que Kierkegaard desenvolve com a figura de Tieck, uma vez que, por um lado, em O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates (1841), Tieck é criticado enquanto poeta do romantismo, mas, por outro lado, em seus diários, Kierkegaard revela certa admiração pelas ideias que Tieck possui em seu modo de contar histórias. Parte-se da crítica realizada pelo dinamarquês em O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates, na qual Kierkegaard interpreta as características gerais da poética tickeana e seu modo singular de construção narrativa, destacando as diferenças fundamentais entre sua produção literária e o romantismo filosófico de Friedrich Schlegel. Embora curta, a crítica de Kierkegaard é concentrada e densa, feita a partir da interpretação da produção literária de Tieck como expressão de dois momentos distintos: no primeiro, como fruto de uma animação poética, indiferente à realidade, que carrega certa inocência e ataca a realidade apenas de maneira indireta; no segundo, a obra é aproximada ao projeto de F. Schlegel, no qual Tieck gradativamente vai cedendo à arbitrariedade poética e ao jogo irônico do romantismo, dirigindo-se contra a realidade no intuito de destruí-la. Em seguida, algumas passagens dos diários pessoais de Kierkegaard são utilizadas no intuito de ampliar e mapear a influência do pensamento de Tieck sobre a produção total do autor.
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