Contribuições do pensamento filosófico de Jean Maugüé, Gérard Lebrun e Hannah Arendt para a filosofia brasileira

Autores

  • Robério Honorato dos Santos Ufabc

DOI:

https://doi.org/10.36942/rfim.v2i2.724

Palavras-chave:

Filosofia brasileira, espírito crítico, filosofia sem amarras, “pensar sem corrimão”., Brazilian philosophy, critical spirit, philosophy without strings, “thinking without a banister”., Filosofía brasileña, espíritu crítico, filosofía sin ataduras,

Resumo

Resumo

Resumo

Tem crescido no Brasil o debate acerca da filosofia brasileira, e até mesmo do pensamento autoral brasileiro. Optamos pela expressão filosofia brasileira, não porque se ignore o debate em torno da questão de uma filosofia no ou do Brasil, mas por entender que ela acomoda essa discussão. Este artigo objetiva analisar as contribuições do pensamento filosófico de Jean Maugüé, Gérard Lebrun e Hannah Arendt, especificamente de suas noções de espírito crítico, da concepção de filosofia livre, portanto, sem amarras e do “pensar sem corrimão” para a filosofia brasileira. Para a análise dessas concepções, partimos do contexto da formação filosófica uspiana das décadas de 1930 a 1970, tal como Paulo Arantes apresenta em Um departamento francês de ultramar, exceto quando se trata de Arendt. Neste caso, seu pensamento ganha destaque. O motivo que justifica o lugar central que o pensamento filosófico da filósofa alemã ocupa no presente artigo é duplo: por termos partido da análise que Lebrun fez do pensamento dela em seu texto Hannah Arendt: um testamento socrático e por compreendermos que o significado da noção de “pensar sem corrimão” tem muito a contribuir para a filosofia brasileira.  Nesse horizonte, argumentamos que, a lição de Maugüé de cultivo de espírito crítico, a de Lebrun acerca da filosofia sem amarras e a compreensão da filosofia de Arendt como um “pensar sem corrimão” constituem contribuições importantes para a filosofia brasileira, no sentido de um filosofar cujas experiências vividas são incontornáveis para essa atividade, quer dizer, a filosofia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABRANCHES, Antonio. Uma herança sem testamento. In: A Dignidade da Política: ensaios e conferências. 3ª ed. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002.

ALVES NETO, Rodrigo Ribeiro (Org.). Por que ler Hannah Arendt hoje?: anais do XIII Encontro Internacional Hannah Arendt. 1ª ed. Rio de Janeiro: Via Verita, 2022.

ARANTES, Paulo. Um departamento francês de ultramar [recurso eletrônico]: estudos sobre a formação da cultura filosófica uspiana (uma experiência dos anos 1960). São Paulo: [s.n.], 2021.

ARENDT, Hannah. Lições sobre a filosofia política de Kant. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ARENDT, Hannah. O que é política? 4ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

ARENDT, Hannah. Sobre Hannah Arendt. Tradução de Adriano Correia. In: Inquietude, Goiânia, vol. 1, nº 2, p. 124-163, ago./dez., 2010.

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2016.

ARENDT, Hannah. A condição humana. 13ª ed. Revisada. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2017.

ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. 7ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

ARENDT, Hannah. Pensar sem corrimão: compreender 1953-1975. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

ANPOF. Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia [Internet]. [acesso em 06 mai. 2022]. Disponível em: https://anpof.org/gt/gt-pensamento-filosofico-brasileiro.

BEINER, Ronald. Prefácio. In: ARENDT, Hannah. Lições sobre a filosofia política de Kant. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.

BERNSTEIN, Richard. Why read Hannah Arendt now. Cambridge: Polity Press, 2018.

BERNSTEIN, Richard. Por que ler Hannah Arendt hoje? Tradução e apresentação Adriano Correia, Nádia Junqueira Ribeiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2021.

BUTLER, Judith. Caminhos divergentes: judaicidade e crítica do sionismo. São Paulo: Boitempo, 2017.

DUARTE, André. Pensamento sem corrimão. In: CORREIA, Adriano et al. (Org.). Dicionário Hannah Arendt. 1ª ed. São Paulo: Edições 70, 2022.

HILL, Melvin. Hannah Arendt: the recovery of the puclic world. Nova Iorque: St. Martin’s Press, 1979.

HONORATO DOS SANTOS, Robério. Judith Butler e a crítica à violência de Estado: a importância da apropriação dos conceitos de pluralidade e coabitação de Hannah Arendt. Revista de Filosofia Instauratio Magna, v. 1, n. 3, p. 208-244, 15 dez. 2021.

LEBRUN, Gérard. Hannah Arendt: um testamento socrático. In: LEBRUN, Gérard. Passeios ao Léu. São Paulo: Brasiliense, 1983.

MAUGÜÉ, Jean. O ensino da filosofia e suas diretrizes. Kriterion, n. 29-30, p. 224-234, jul.-dez., 1954.

SOUZA, Gilda de Mello e. A Estética Rica e a Estética Pobre dos Professores Franceses. Aula inaugural dos Cursos de 1973 do Departamento de Filosofia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humana da Universidade de São Paulo. Revista Discurso, n. 9, pp. 9-30, 1978.

STANGNETH, Bettina. Eichmann before Jerusalem: The Unexamined Life of a Mass Murderer. New York: Alfred A. Knopf, 2014.

Downloads

Publicado

2023-02-16

Como Citar

HONORATO DOS SANTOS, Robério. Contribuições do pensamento filosófico de Jean Maugüé, Gérard Lebrun e Hannah Arendt para a filosofia brasileira. Revista de Filosofia Instauratio Magna, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 37–75, 2023. DOI: 10.36942/rfim.v2i2.724. Disponível em: https://periodicos.ufabc.edu.br/index.php/instauratiomagna/article/view/724. Acesso em: 15 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos