Silêncios, opacidades e regimes de verdade em São Tomé e Príncipe: os contornos da história recente

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Augusto Nascimento

Abstract

A propósito de temáticas da história recentes de São Tomé e Príncipe, este texto propõe uma reflexão sobre as relações entre as configurações políticas desde o tempo colonial até ao pós-independência e a construção de narrativas históricas sobre o arquipélago.


Num certo sentido, o conhecimento histórico parece negligenciável dada a intensidade da interlocução pessoal devida à contiguidade numa exígua sociedade insular. Porém, desde o tempo colonial aos regimes do pós-independência, as metanarrativas históricas acerca da condição do arquipélago desempenharam um papel de sustentáculo do poder, hierarquizado e rígido no tempo colonial, assim tendo permanecido no pós-independência. Em ambos os períodos, uma história prospectiva foi criada e arvorada para cerzir as clivagens sociais e políticas.


Sendo a história o crivo fundamental da crítica da condução das sociedades, ela acabou por ser objecto de distorções, opacidades e silêncios, uma deriva acentuada pela falta de amparo de instituições suficientemente fortes para confrontar o poder. Assim, após décadas de democracia representativa, a história continua a padecer de vícios que reflectem a dependência dos historiadores e mais estudiosos, assim como de toda a sociedade, face aos mandantes.


A falta de um pensamento histórico fundamentado e crítico, debatido e aprofundado no espaço público é uma das debilidades da sociedade são-tomense, onde, também por força das enormens privações, os programas políticos são substituídos por lemas emblemáticos que se revelam geradores de descrença política e social e indício da incapacidade de determinação do futuro.

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How to Cite
Nascimento, A. (2019). Silêncios, opacidades e regimes de verdade em São Tomé e Príncipe: os contornos da história recente. AbeÁfrica: Revista Da Associação Brasileira De Estudos Africanos, 1(1), 66–84. https://doi.org/10.36942/abe-africa.v1i1.1250
Section
Artigos