Novos sentidos da circulação em Moçambique: a produção para exportação nos anos 2010
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A literatura historiográfica costuma atribuir, desde o início do colonialismo em Moçambique, três grandes períodos relativos à sua orientação econômica: o período colonial, a experiência socialista e a reabertura ao sistema capitalista internacional. Ao longo de todos esses períodos, a circulação sempre foi um elemento-chave da estruturação territorial moçambicana, e em cada um deles um novo sentido foi sendo incorporado nesse processo: primeiro, com a construção colonial de um sistema ferro-portuário voltado à exportação da produção do hinterland da África Austral; depois, com os esforços de criação de um mercado interno e uma integração nacional moçambicana, e a consequente consolidação de um sistema rodoviário no país; e por fim, com a conjunção entre trilhos e rodas na configuração de uma política dos “corredores de desenvolvimento” desde os anos 1990, agora também voltados à produção interna de Moçambique. A virada para os anos 2010 adiciona novos elementos a esse processo, e sem romper com as dinâmicas anteriores, novos sentidos parecem marcar uma nova fase na estruturação da circulação moçambicana. Neste período, apenas 4 produtos (carvão, alumínio, gás natural e energia elétrica) passaram a concentrar cerca de 70% das exportações nacionais, fenômeno acompanhado pelo retorno do sistema ferro-portuário como principal responsável pelo movimento de mercadorias no país. Simultaneamente, a ascensão de economias nacionais de fora dos tradicionais centros hegemônicos do capitalismo dão novos sentidos à circulação em Moçambique, reorientando-a em direção a países como África do Sul, Brasil, China e Índia.
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