Tornar-se negro para quem? Um diálogo entre Brasil, África do Sul e a memória ancestral africana

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Douglas Vitto
Juliana Maria de Souza Xavier

Resumo

Desde a colonização do Brasil, a população negra foi tida pela branquitude como indesejada e confinada espacialmente. Esse racismo imposto pelos colonizadores sobre as pessoas escravizadas tem uma dimensão espacial e existencial influenciada pela raça, que continua ecoando na colonialidade. Essa dimensão do racismo também permeou as pessoas não-brancas na África do Sul por meio da institucionalização do apartheid (1948-1994), que racializou os sul-africanos em White, Coloured, Indian/Asian e Black, os segregou, e continua afetando as dinâmicas cotidianas. Desse modo, por meio de uma perspectiva experiencial centrada no contexto brasileiro e em diálogo com a África do Sul, guardadas as especificidades de cada país, discutimos como o marcador racial dita a construção do racismo anti-negro entrelaçada aos espaços, lugares e territórios, que nos constituem e que constituímos. Nesse entrelace, lançamos mão da escrevivência e da discussão do conceito de raça. Essas escolhas nos possibilitam tensionar como as pessoas negras tornam-se racializadas diante das pessoas brancas, ao mesmo tempo em que esse tornar-se pode ser entendido como uma manifestação existencial-política de enfrentamento à branquitude. Dialogando com Neusa Santos Sousa, Robert Bernasconi, Linda Alcoff, Sara Ahmed, Franz Fanon, e os autores sul africanos Saul Dubow, Pearl Subban e Jeremy Seekings propomos pensar a relação implicada entre raça e espacialidade em nosso existir desde nossos ancestrais. Tornar-se negro nos propicia dialogar com a memória ancestral africana como possibilidade de reconhecimento, reafirmação e reconexão de nossa identidade e existência.

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Como Citar
Vitto, D., & Maria de Souza Xavier, J. (2026). Tornar-se negro para quem? Um diálogo entre Brasil, África do Sul e a memória ancestral africana. AbeÁfrica: Revista Da Associação Brasileira De Estudos Africanos, 12(12), 142–167. Recuperado de https://periodicos.ufabc.edu.br/index.php/abeafrica/article/view/1525
Seção
Dossiê
Biografia do Autor

Douglas Vitto, Universidade Estadual de Londrina / Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geografia

Doutorando em Geografia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), com Estágio de Doutorado Sanduíche no Exterior na University of the Western Cape (UWC), financiado pela CAPES, e estágio doutoral como intercambista na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre em Geografia pela UEL. Especialista em Ensino de Geografia pela UEL. Graduado (Licenciatura) em Geografia pela mesma instituição.

Juliana Maria de Souza Xavier, Universidade Vale do Rio Doce / Docente

Mestra em Gestão Integrada do Território pelaUniversidade Vale do Rio Doce. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG (2023-2025). Licenciada em Pedagogia pela Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, em Governador Valadares, MG e em História pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão - UEMASUL, em Imperatriz, MA. Pós-graduada (categoria de especialização) em Africanidades e Cultura Afro-brasileira. Docente no curso de Pedagogia na Universidade Vale do Rio Doce, ministrando as disciplinas de Sociologia e Filosofia da Educação.