Confluências entre Brasil e África: atualizando Macunaíma de Mario de Andrade sob olhar da crítica literária africana endossada no Kaydara de Amadou Hampâté Bâ updating Mario de Andrade's Macunaíma from the perspective of African literary criticism endorsed in Amadou Hampâté Bâ's Kaydara
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Resumo
O diálogo entre a literatura brasileira e a literatura africana francófona pode resultar em uma troca tão significativa que a língua se torna o único obstáculo a ser vencido, permitindo o acesso a um horizonte de leituras e interpretações mútuas. Neste contexto foi que escolhemos o texto oral iniciático e fundador de identidade africana, Kaydara, de Amadou Hampâté Bâ, para trazer luzes africanas no debate acerca da inteligibilidade de Macunaíma, de Mário de Andrade. E, no cruzamento entre duas obras literárias de grande porte, como é o caso de Macunaíma e Kaydara, são dois mundos plástico-literários que se espelham, são dois autores que se revezam, em espiral, pelo trampolim de seus projetos artísticos. Mas, muito mais do que isso, são dois povos, brasileiro e africano, que vão entrar em diálogo permanente a partir de uma de sua matriz cultural, que é a oralidade, ou a cultura da palavra na sua acepção mais tradicional. É o Kaydara que traz entre suas linhas o poder da sacralidade da palavra, dignificando a supremacia do saber, e é o Macunaíma que trabalha, remaneja, revisita o português de Portugal para apontar na direção inconteste da língua brasileira, em vez da língua portuguesa. É tendo esse intenso diálogo como pano de fundo que o presente capitulo busca revisitar e atualizar, o debate sobre a imperiosa necessidade de ressignificar os contornos, e a importância da obra Macunaíma, dentro do cenário multi-identitário do brasileiro. Afinal a pessoa do afrobrasileiro teria sido marginalizada na obra? o mesmo pode-se sustentar no tocante aos indígenas? ou melhor dizendo, estes dois componentes da sociedade brasileira receberam um tratamento, que os inferiorizariam com relação a camada europeia brasileira? ou pelo contrário, estaríamos sim, de fato, diante de uma obra com um herói de caráter? E, sobretudo, o que nos ensina a tradição oral africana, tipificada pelo Kaydara, no tocante a essas problemáticas existenciais do Brasil?
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