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O USO DE PODCAST COM ESTUDANTES COM CEGUEIRA COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL E INCLUSIVA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

THE USE OF PODCAST WITH STUDENTS WITH BLINDNESS AS AN EDUCATIONAL AND INCLUSIVE TOOL: AN EXPERIENCE REPORT

EL USO DEL PODCAST CON ALUMNOS CON CEGUERA COMO HERRAMIENTA EDUCATIVA E INCLUSIVA: UN REPORTE DE EXPERIENCIA

Allisson Pereira de Sousa de Mesquita[1]

Rosana Mendes Éleres de Figueiredo[2]

Resumo:

A taxa de analfabetismo em pessoas com deficiência alcança 19,5% em comparação aos 4,1% daquelas sem deficiência. Além disso, 25,6% das pessoas com deficiência conseguem concluir o Ensino Médio, contrastando com a marca de 57,3% para aquelas sem deficiência. Diante deste cenário, o presente estudo tem como objetivo analisar a criação e a publicação do podcast “Sala Inclusiva” como ferramenta de apoio à educação e potencialização do protagonismo de estudantes com cegueira. Realizamos uma pesquisa crítica e dialogada com base no acesso a entrevistas conduzidas com os atores escolares nos episódios publicados do podcast e no relato de experiência vivenciado pelo próprio autor enquanto estagiário de Psicologia, sob o olhar da Análise do Comportamento, em um ambiente escolar dentro do contexto de Ensino Remoto Emergencial (ERM) na pandemia da COVID-19. Os resultados obtidos indicam diversos aspectos positivos, tais como: a promoção da autonomia e inclusão dos estudantes, o desenvolvimento de habilidades pessoais e o estímulo a comunicação. Foi possível concluir que o uso do podcast é uma estratégia promissora para promover a aprendizagem, inclusão e participação. No entanto, é fundamental que sejam realizados investimentos na formação docente e na estruturação adequada para o desenvolvimento e disseminação eficaz dessa prática educacional.

Palavras-chave: Podcast; Educação inclusiva; Estudantes com cegueira; Análise do comportamento; Psicologia escolar e educacional.

Abstract:

The illiteracy rate among people with disabilities reaches 19.5%, compared to 4.1% among those without disabilities. Additionally, 25.6% of people with disabilities manage to complete high school, in contrast to 57.3% of those without disabilities. In light of this scenario, the present study aims to analyze the creation and publication of the podcast Sala Inclusiva as a tool to support education and enhance the agency of blind students. We conducted critical and dialogical research based on interviews with school actors featured in the podcast episodes, as well as the author’s experience report as a Psychology intern, from the perspective of Behavior Analysis, in a school environment within the context of Emergency Remote Teaching (ERT) during the COVID-19 pandemic. The results obtained indicate several positive aspects, such as promoting student autonomy and inclusion, developing personal skills, and encouraging communication. It was possible to conclude that using podcasts is a promising strategy for fostering learning and inclusion. However, it is essential to invest in teacher training and the proper structuring necessary for the effective development and dissemination of this educational practice.

Keywords: Podcast; Inclusive education; Students with blindness; Behavior analysis; School and educational psychology.

Resumen:

La tasa de analfabetismo en personas con discapacidad alcanza el 19,5%, en comparación con el 4,1% de aquellas sin discapacidad. Además, el 25,6% de las personas con discapacidad logra finalizar la educación secundaria, en contraste con el 57,3% de las personas sin discapacidad. Ante este panorama, el presente estudio tiene como objetivo analizar la creación y publicación del pódcast Sala Inclusiva como herramienta de apoyo educativo y potenciación del protagonismo de estudiantes ciegos. Realizamos una investigación crítica y dialogada basada en entrevistas realizadas con actores escolares en los episodios publicados del pódcast, así como en el relato de experiencia vivido por el propio autor como pasante de Psicología, desde la perspectiva del Análisis de la Conducta, en un entorno escolar dentro del contexto de la Enseñanza Remota de Emergencia (ERE) durante la pandemia de COVID-19. Los resultados obtenidos señalan diversos aspectos positivos, tales como la promoción de la autonomía y la inclusión de los estudiantes, el desarrollo de habilidades personales y el fomento de la comunicación. Se pudo concluir que el uso del pódcast es una estrategia prometedora para promover el aprendizaje y la inclusión. Sin embargo, es fundamental realizar inversiones en la capacitación docente y en una adecuada estructuración para el desarrollo y difusión efectiva de esta práctica educativa.

Palabras clave: Podcast; Educación inclusiva; Estudantes com cegueira; Análisis de comportamiento; Psicología escolar y educativa.

1           Introdução

Segundo dados do Censo Escolar (Inep, 2023), o total de matrículas na Educação Especial, tanto em escolas especializadas quanto regulares, atingiu 1,5 milhão em 2022, registrando um aumento de 29,3% em relação a 2018. Desse total, cerca de 88.365 alunos possuem cegos, surdocegos ou têm baixa visão, ou seja: 14% possuem alguma deficiência visual.

Dados do IBGE (2023) também revelam que a taxa de analfabetismo para pessoas com deficiência é de 19,5%, em comparação com 4,1% para aquelas sem deficiência. Além disso, apenas 25,6% das pessoas com deficiência conseguem concluir o Ensino Médio, contrastando com a marca de 57,3% para aquelas sem deficiência. No âmbito do mercado de trabalho, a disparidade persiste: a taxa de participação na força de trabalho para pessoas sem deficiência foi de 66,4%, enquanto para as pessoas com deficiência, essa taxa foi de 29,2%. Esses dados são reforçados ao considerarmos que, de acordo com o Ministério da Educação (Brasil, 2020), 94% dos professores da Educação Básica não possuem formação continuada para atuar com alunos na Educação Especial.

No cenário do sistema educacional brasileiro, a emergência da pandemia de COVID-19 em 2020 impôs uma série de desafios. Problemáticas inéditas passaram a ser discutidas diante de uma realidade de Ensino Remoto Emergencial (ERE), estabelecida enquanto durasse a situação de pandemia do novo coronavírus (Brasil, 2020). As escolas e universidades se viram compelidas a ajustar-se a essa nova dinâmica, buscando alternativas para manter o ensino ativo e efetivo para seus alunos.

Considerando esse panorama, em um contexto permeado por desafios educacionais, a reflexão sobre a construção de uma educação mais acolhedora à diversidade emerge como uma pauta que necessita ser revisitada cuidadosamente. Além disso, a implementação de iniciativas pedagógicas pelos professores ao longo do processo educacional assume um papel fundamental na promoção do desenvolvimento dos alunos, ao criar um ambiente de aprendizado mais dinâmico, envolvente e adaptado às necessidades singulares de cada estudante. Nesse sentido, torna-se indispensável que tais práticas contemplem também as especificidades relacionadas à deficiência, garantindo a inclusão efetiva e o respeito às diferentes formas de aprender.

Dentro desse contexto, o uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) surge como uma alternativa que busca potencializar as práticas pedagógicas. A integração de recursos tecnológicos no ambiente educacional não apenas moderniza o processo de ensino, mas também proporciona uma gama de possibilidades para personalização, colaboração e interatividade (Porto, 2006).

Com base nisso, propusemos o desenvolvimento, criação e publicização do podcast[3] intitulado Sala Inclusiva como instrumento utilizado na intervenção no Estágio Obrigatório Específico dentro do ambiente escolar, como uma ferramenta estratégica para promover aprendizado, autonomia e empoderamento de estudantes com cegueira. Isso ocorreu por meio da abordagem de temas pertinentes à realidade desses estudantes, os quais puderam discutir questões relacionadas à educação, aprendizado e às suas vivências dentro e fora da instituição de ensino.

O intuito desta proposta foi permitir que esses estudantes se apropriassem do podcast como uma ferramenta poderosa para mudar sua própria realidade, ou para se identificarem consciente e dialogicamente com questões que permeiam suas vidas. Isso possibilita a ampliação do alcance dessas temáticas para a sociedade em geral, tornando suas questões mais conhecidas e promovendo a conscientização sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência visual na educação e na sociedade em geral.  

Cabe ressaltar que, apesar de ter havido um aumento no número de produções científicas sobre podcasts no contexto educacional, há escassez de pesquisas sobre o tema dentro da área da Psicologia (Celarino et al., 2023), o que torna a discussão do presente estudo essencial. A partir dessa análise, foi possível identificar as potencialidades e limitações do uso do podcast como recurso pedagógico para esses estudantes e fornecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de inclusão e promoção da educação para pessoas com deficiência visual.

Portanto, este estudo tem por objetivo a análise do podcast enquanto instrumento educacional e de potencialização do protagonismo de estudantes com cegueira, delineando-se a partir de uma revisão da literatura que explora a aplicação do podcast como recurso de suporte no processo de ensino-aprendizagem a partir do olhar da Psicologia Educacional, por meio da Análise do comportamento.

Além disso, este trabalho incorpora um documento bibliográfico contendo dados de entrevistas com os atores da escola: dos estudantes, a partir dos episódios gravados e publicados; e do Relato de Experiência dialogado e crítico do autor. Abordamos o processo de concepção do podcast “Sala Inclusiva” (indicando as etapas utilizadas para sua construção), elaboração (demonstrando as ferramentas e estratégias praticadas) e sua disseminação em plataformas como: Instagram, Amazon Music, Spotify, Deezer e Youtube.

Ao longo deste texto, apresentaremos: as contribuições da Psicologia Educacional e Escolar sob a perspectiva da Análise do Comportamento (AC), dentro dos parâmetros conceituais da abordagem; uma breve contextualização sobre o podcast e seu papel na comunicação; seguida pela apresentação dos resultados obtidos a partir da criação e produção do podcast e das discussões pertinentes aos pontos relevantes levantados.

2           Por que os professores fracassam?[4]

A punição tem sido historicamente presente e ainda perdura como uma prática recorrente no contexto escolar. Do colocar de joelhos sobre grãos de milho ou feijões à utilização da palmatória como ferramenta de disciplina, os castigos sempre desempenharam um papel de correção e direcionamento na educação (Luckesi, 1998). Entretanto, enquanto no passado tais formas de punição eram muito mais evidentes e aceitas pela sociedade, atualmente elas adotam uma configuração diferente: embora menos corporal, sua natureza agressiva ainda ocasiona consequências igualmente prejudiciais ao processo de aprendizado.

No cotidiano da escola por muitas vezes, práticas são mantidas com razões ritualísticas, controladas por regras institucionais que visam a disciplina (com status de autoridade) e a verticalização do ensino em prejuízo do desenvolvimento do aprendizado dos estudantes. A sobrevalorização sob o respeito pela ordem, em detrimento do conhecimento, acaba por tornar o ambiente escolar pouco potencializador, criando indivíduos obedientes e acríticos ao funcionamento institucional e educacional. O aluno não participa do processo e, nesse sentido, a educação torna-se compulsória, resultando na realização de tarefas as quais ele não se sente inclinado a fazer, dentro de um propósito que ele não compreende (Skinner, 1972). Como resultado, observa-se um número significativo de alunos desinteressados com o currículo escolar, o que os impede de progredir, independente de suas potencialidades (Pozzobon, Mahendra & Marin, 2017).

O ensino é frequentemente concebido como um processo que demanda rigor e exigência incessante do aluno, visando extrair seu melhor desempenho de modo a alinhá-lo às expectativas postas. A metodologia comumente estabelecida em sala de aula possui como base a concepção de que a aprendizagem deve ocorrer segundo padrões universais, os quais todos os alunos devem seguir. Ao não se alcançar esses padrões, há a culpabilização do aluno. Diz-se que ele não se empenhou o suficiente, não prestou atenção na matéria, não atingiu conceitos satisfatórios, sempre os responsabilizando. É comum que, nesse contexto, defenda-se a necessidade de um endurecimento do trabalho ao invés de uma autorreflexão sobre a própria metodologia de ensino, gerando assim uma escalada de punições que, a médio e longo prazo, muitas vezes acabam resultando na evasão escolar.

A tendência natural do estudante é evitar situações aversivas. Chegar atrasado e mostrar desinteresse em participar das atividades em sala de aula; comemorar a chegada do fim de semana ou feriados; parecer estar concentrado quando, na verdade, sua presença física na sala de aula é apenas formal, estando mentalmente ausente; são apenas alguns dos exemplos visíveis desse padrão comportamental, usualmente identificados como comportamentos de fuga e esquiva (Skinner, 1972).

Além dessas estratégias de fuga e esquiva, uma das principais consequências do uso de comportamentos punitivos são as respostas emocionais desencadeadas (Skinner, 1970). As ameaças aos alunos, a exigência do ensino e a prática da inferiorização em um ambiente desestimulante podem provocar uma gama de respostas, como medo, ansiedade, ressentimento e raiva. Como forma de contra-ataque, muitos estudantes chegam emitir uma série de comportamentos verbais de descontentamento (como brincadeiras que desafiam os professores), não sendo incomuns até mesmo ataques físicos, gerando assim uma espiral de violências.

Segundo Skinner (1972), há sempre uma essência humana e bem-intencionada no professor. É razoável pensar que o professor – ou ao menos a maioria deles – não deseja desempenhar o papel de carrasco, ou impor punições e ameaças aos alunos. Da mesma forma, a maioria dos alunos também possui boas intenções, podendo o desejo de aprender coexistir no ambiente. Por que, então, o que frequentemente observamos na prática, dentro do contexto educacional e escolar, é uma cultura onde, por muitas vezes, a punição impera?

Uma das primeiras justificativas para a persistência da punição no ambiente escolar é atribuída ao elemento cultural: os professores tendem a reproduzir aquilo que aprenderam. Dessa forma, devido à falta de novos modelos de comportamento, acabam por reproduzir os padrões culturais que lhes foram transmitidos, contribuindo para a manutenção desses comportamentos.

Além disso, frequentemente devido à falta de percepção, negligência ou inabilidade em lidar com os desafios educacionais, o educador inadvertidamente projeta suas próprias dificuldades sobre o aluno, refletindo assim as próprias frustrações naqueles que deveria ensinar. Muitas vezes, por questões burocráticas, replicam modelos de ensino determinados por instâncias superiores que privilegiam a ordem em detrimento do ensino (Luckesi & Fonai, 2007). Portanto, a perpetuação da punição no contexto escolar não se limita apenas à falta de consciência ou boa vontade por parte dos professores, mas é também um reflexo das estruturas e dinâmicas culturais mais amplas que influenciam a prática educacional.

Além disso, Skinner (1972) também evidencia que, para aqueles que aplicam a punição, a prática coercitiva é percebida como uma solução eficaz, uma vez que resulta em uma resposta imediata e facilmente observável. Dentro dessa perspectiva, são desconsiderados os efeitos emocionais adversos associados à punição, e o foco recai na redução do desconforto experienciado pelo professor e não na solução do problema. Dessa forma, a atenção é direcionada para tratar os sintomas em vez das causas subjacentes, o que revela uma abordagem que pouco contribui para o processo de aprendizagem.

Considerando as observações anteriores sobre a ineficácia e os efeitos adversos da punição no ambiente escolar, o leitor talvez venha a indagar: qual seria, então, a abordagem mais adequada para lidar com comportamentos indesejados dos alunos? Além disso, seriam os professores, os únicos responsáveis pelo fracasso escolar ou há outros fatores a serem considerados nesse complexo cenário?

Para uma investigação mais detalhada dessas questões, prosseguiremos abordando algumas possibilidades para uma boa constituição da aprendizagem e contribuições fundamentadas a partir da perspectiva Analítico-comportamental. Estas incluem: o reforço positivo, estratégias de ensino diferenciadas, além do estabelecimento de expectativas claras e consistentes.

3           Possibilidades e contribuições da Análise do Comportamento

Segundo Zanella (1998), há 4 condições para que a aprendizagem aconteça:

1. Condições físicas: todas as experiências de aprendizagem são mediadas pelos sentidos, tornando imprescindível a disponibilidade de condições favoráveis para facilitar a ocorrência de aprendizagem adequada.

2. Condições psicológicas: referem-se à motivação e à maneira como o indivíduo se mobiliza para aprender. A motivação surge quando há um desequilíbrio que leva o indivíduo a buscar uma solução para alcançar seus objetivos. Entretanto, quando os objetivos são de longo prazo, a motivação tende a diminuir, enquanto os de curto prazo tendem a gerar excitação.

3. Condições ambientais: relacionam-se a um ambiente adequado, ambiente reforçador, incluindo temperatura, iluminação, ventilação etc., que influenciam significativamente o processo de aprendizagem.

4. Condições sociais: envolvem a competição, que deve ser utilizada com moderação para mobilizar os alunos visando à cooperação, na qual os benefícios individuais são alcançados por meio do trabalho em grupo.

Para elucidar, tomemos como exemplo a seguinte situação: suponha que João, um aluno com cegueira, esteja participando de uma aula de matemática e deseja resolver um problema que envolve gráficos no livro. A professora o ajuda a entender o gráfico e a interpretar as informações, demonstrando, com material em relevo, os diferentes tamanhos do gráfico estabelecido no livro e seus respectivos valores e coordenadas, resolvendo assim a dúvida em questão. Nessa situação, o aprendizado não se tornou um obstáculo devido à cegueira, visto que as condições física e ambiental foram atendidas de forma adequada. Assim, ao obter uma solução eficaz (o que representa um reforço positivo), é mais provável que João adote essa mesma abordagem em situações similares no futuro.

Imagine agora que uma aluna chamada Maria está participando de uma gincana de matemática em sala que objetiva resolver equações matemáticas, como equações lineares. No início, o professor introduz o conceito e fornece um conjunto de regras específicas para as equipes resolverem essas equações. As regras incluem etapas informativas, como isolar a variável, simplificar os termos e resolver uma incógnita. Maria, inicialmente, segue essas regras cuidadosamente. Ela pratica a resolução de várias equações usando essas instruções específicas com ajuda dos seus colegas e recebe feedback do professor sobre a precisão de suas respostas e sobre seu desempenho geral na atividade ter sido satisfatório. Nesse contexto, podemos evidenciar que a internalização das instruções do professor foi efetivada mesmo na sua ausência.

Na mesma situação, Maria começa a perceber padrões e relações entre os diferentes passos das equações. Ela nota que, ao isolar a variável, ela está basicamente desfazendo as operações matemáticas que foram realizadas na equação original. Ela começa a identificar como os termos se movem de um lado para o outro da equação. Com o tempo, Maria já não se baseia apenas nas regras específicas dadas pelo professor. Ela começa a resolver equações com uma compreensão mais profunda da estrutura, reconhecendo a lógica por trás das operações, e compartilha isso aos demais membros do grupo. Ela passa a resolver equações de forma mais flexível e adaptável, em vez de seguir as regras rigidamente. Nesse ponto, Maria está aprendendo por contingências naturais, onde sua compreensão do processo matemático se tornou intrínseca e intuitiva. Ela não precisa mais depender estritamente das regras fornecidas pelo professor, embora ainda as tenha como base. Em vez disso, ela desenvolveu uma compreensão mais profunda e abrangente do cálculo matemático. Isso mostra como o aprendizado inicial baseado em regras pode evoluir para um entendimento mais amplo e intuitivo da matéria a partir das boas condições psicológicas e culturais propiciadas pela metodologia aplicada pelo professor.

É válido destacar que os exemplos acima citados buscam a criação de uma concepção sobre as condições básicas para um ambiente propício ao aprendizado. Um ambiente físico atraente e agradável, por exemplo, com uma boa ornamentação, mobília confortável, e inclusivo são reforçadores para o aluno, porém somente àquilo que está disposto a reforçar. Ou seja: apesar de serem importantes para que a educação possa minimamente se efetivar, não ensinam o que o estudante deve aprender na escola. De modo geral, apesar de analisados separadamente, é imprescindível que todos os níveis estejam presentes para uma ação realmente efetiva e, para além disso, que outros atributos se conectem. A seguir trataremos alguns deles.

3.1    O uso de reforçadores como alternativa para punições

Na esfera educacional, é crucial direcionar o foco para o reconhecimento e a recompensa dos comportamentos desejados por parte dos alunos. Estratégias como elogios, concessão de prêmios, emissão de certificados, entre outras possibilidades de reforço, são indispensáveis para fortalecer habilidades e atitudes positivas. Além disso, é essencial promover uma cultura escolar que valorize não apenas o resultado final, mas também o esforço, a colaboração e a participação ativa dos estudantes.

Contudo, para garantir a eficácia dessas práticas, os professores devem estar atentos à frequência com que os reforçamento são aplicados. Como destaca Smith (2010), o aluno não aprende somente fazendo:

Não se ensina uma criança a chutar bola simplesmente induzindo-a a chutá-la. Não é verdade, como afirmava Aristóteles, que aprendemos a tocar harpa ao tocá-la e que aprendemos a conduta ética ao agir eticamente. Se houver aprendizagem nestas circunstâncias é porque outras condições foram inadvertidamente arranjadas. Muito mais do que só fazer os movimentos, está em jogo quando a criança chuta bola ou o estudante toca harpa ou se conduz eticamente. A execução do comportamento pode ser essencial, mas não garante que tenha havido aprendizagem.

As teorias comportamentais relacionadas à frequência destacam a importância não apenas do reforço, mas também da periodicidade na sua aplicação. Em outras palavras, é crucial que o reforço seja administrado de forma imediata à ocorrência do comportamento desejado, a fim de aumentar efetivamente a probabilidade de sua repetição. Acima de tudo, não é somente a mera “frequência” que possibilita o aprendizado, e sim o que acontece frequentemente (com consistência). Ou seja, a probabilidade de um comportamento se repetir está intrinsecamente ligada às condições promovidas pela primeira resposta, pois sua influência ainda prevalece sobre o comportamento. Por outro lado, quando o objetivo é reduzir a ocorrência de um determinado comportamento, é fundamental eliminar as consequências que o reforçam.

Para ilustrar as questões até então levantadas, imagine a seguinte situação: suponha que o aluno João manifeste um comportamento recorrente de interromper a aula, seja para ganhar a atenção dos outros alunos, seja para interromper a aula e evitar uma tarefa difícil e desagradável. Como os educadores reagiriam diante desse cenário?

A resposta automática mais comum que poderia ser gerada pelo leitor é a sugestão de que o professor poderia aplicar uma punição: ou seja, dando uma tarefa adicional ao aluno, como forma de desencorajar o comportamento de interrupção constante. Poderia também optar por retirar pontos ou encaminhá-lo à direção escolar. Ou até mesmo retirar uma atividade recreativa que ele gosta, deixando claro que o comportamento resultaria na perda de privilégios. Quais são as implicações da adoção dessas estratégias?

O emprego de punição, tanto de caráter positivo quanto negativo, revela-se menos eficaz a longo prazo, não apenas pela geração de emoções negativas como ressentimento, ansiedade ou evasão, mas principalmente porque não possui a capacidade intrínseca de ensinar explicitamente o indivíduo a comportar-se da forma desejada, focando apenas naquilo que não deve ser feito.

Que alternativas comportamentais poderiam, então, ser instituídas?

Neste caso, o comportamento de João de interromper a aula é reforçado positivamente quando seus colegas riem ou lhe dão atenção. Para eliminar esse reforço positivo, o professor pode implementar um sistema de reforço positivo alternativo. Por exemplo, o professor pode elogiar e recompensar os colegas que não riem ou não prestam atenção quando João interrompe a aula. Isso cria um novo reforço positivo para os colegas que não participam do comportamento de João, reduzindo assim a probabilidade de que seu comportamento seja reforçado pelos demais.

 Se João interrompe a aula para evitar uma tarefa difícil ou desagradável, isso pode ser considerado um comportamento reforçado negativamente. Nesse caso, o comportamento de João é reforçado pela remoção de algo aversivo, como a tarefa difícil. Para eliminar esse reforço negativo, o professor pode modificar a forma como a tarefa é apresentada ou oferecer apoio adicional para que João se sinta mais capaz de completá-la. Isso reduz a necessidade de João interromper a aula para evitar a tarefa.

Em outras palavras, é necessário incentivar comportamentos desejáveis enquanto se desencoraja aqueles que não se pretende alcançar. Assim, a adoção de uma abordagem estruturada e atenta aos princípios do reforço comportamental pode promover um ambiente educacional mais positivo e produtivo.

3.2    Estratégias de ensino diferenciadas, estabelecimento de objetivos claros e alcançáveis e o ensino individualizado.

É certo que abordagens que se concentram predominantemente em aulas exploratórias e na simples leitura de textos tendem a carecer de atratividade para os estudantes, quando comparadas a aulas que incorporam recursos interativos e dinâmicos. A abordagem tradicional pode, em alguns casos, resultar em desinteresse por parte dos alunos, limitando o engajamento e a eficácia do processo de aprendizagem. Isso se deve, em parte, à natureza passiva dessas atividades, que podem não estimular adequadamente a participação ativa e a criatividade dos estudantes.

Além disso, abordagens mais interativas favorecem o desenvolvimento de habilidades essenciais como pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração e comunicação. Ao proporcionar um ambiente de aprendizagem mais estimulante e relevante, essas práticas contribuem para o fortalecimento do engajamento dos alunos e para a promoção de uma educação mais eficaz e significativa.

Segundo Hubner (1987), além de propor uma abordagem mais interativa no processo de ensino-aprendizagem, é crucial também considerar a necessidade de adaptação do conteúdo, dos métodos de ensino e das atividades de acordo com as características dos alunos. Isso implica em reconhecer e respeitar as diferentes formas de aprendizagem e os ritmos variados de assimilação de conhecimento presentes na sala de aula.

Para além disso, a autora acrescenta que o processo de ensino precisa ser fragmentado em pequenas tarefas e que inclui momentos de revisão, visando uma abordagem mais acessível e manejável para os alunos. Essa estratégia busca mitigar a sobrecarga cognitiva e facilitar a compreensão dos conteúdos.

Outra diretriz sugerida por Hubner (2005) é a clara definição das expectativas em relação ao desempenho dos alunos em cada unidade de ensino. É fundamental garantir que o aluno tenha compreendido plenamente o conteúdo antes de avançar para o próximo. Em casos de dificuldades, ao invés de aplicar punições, é recomendado fornecer feedback construtivo indicando o que fazer e como se fazer e oferecer oportunidades adicionais de reavaliação quando o aluno estiver preparado para isso. Uma outra proposta relaciona-se a envolver alunos que se destacam na correção de provas. Sob supervisão do professor, essa iniciativa pode auxiliar no processo de autonomia dos estudantes trazendo contribuições que o professor não conseguiria em sala, por conta do seu status de autoridade. Por fim, a flexibilidade no planejamento das atividades e na condução das aulas é apontada como uma estratégia importante. Adaptar-se às necessidades e demandas específicas da turma possibilita uma abordagem mais eficaz e adequada ao contexto educacional.

4          Afinal de quem é a culpa?

Toda análise funcional deve levar em consideração os três níveis de determinação do comportamento: filogenético, ontogenético e cultural. No nível filogenético, o ambiente atua sobre o nosso comportamento selecionando características naturais da nossa espécie. Nossas características fisiológicas e comportamentais, como os reflexos inatos e a habilidade de aprender por meio da associação de estímulos e consequências, são determinadas pela evolução da nossa linhagem (filogênese), tanto a nível de indivíduo como de espécie, englobando desde comportamentos inatos, como comportamentos que se relacionem com os genes dos pais (Moreira & Medeiros, 2007).

No âmbito ontogenético, investiga-se como ocorre a modificação do comportamento do indivíduo durante sua vida a partir da experiência que ele tem com o ambiente (como a interação com o meio influencia a aprendizagem). O homem como fruto das suas interações com o meio age sobre o ambiente e por ele é modificado. Portanto, o comportamento é modificado de acordo com as consequências resultantes dessas ações, que podem levá-lo a se repetir (fortalecendo a resposta) ou não (enfraquecendo a resposta), dependendo das consequências da resposta. Ou seja, o fortalecimento implica que uma determinada resposta tem sua probabilidade futura de ocorrência aumentada, enquanto o enfraquecimento implica que a resposta terá uma menor probabilidade de ocorrer novamente no futuro (Henklain & Carmo, 2013).

Por fim, no nível cultural, o comportamento é determinado segundo as práticas, valores, normas e crenças compartilhadas por um grupo de pessoas em uma determinada sociedade ou comunidade. A maneira como as pessoas expressam emoções, se comportam em situações sociais e se relacionam com os outros é moldada pela cultura. Além disso, é possível adquirir conhecimento através da observação de modelos ou por instruções, formando assim a base da aprendizagem social.

Em suma, como destacam Freitas e Postalli (2022): “. . . a deficiência como fator biológico deve sim ser analisada, mas também é preciso considerar muitos outros fatores, sejam eles culturais, sociais, econômicos, ou mesmo pedagógicos, tipicamente produzidos pelo contexto de aprendizagem de cada estudante, em cada sala de aula”.

Os professores desempenham um papel crucial no ambiente educacional. Eles são responsáveis por criar um ambiente de aprendizado seguro, motivador e inclusivo, além de ensinar o conteúdo curricular. No entanto, os níveis de determinação do comportamento destacam que os fatores que contribuem para o fracasso escolar vão além do controle direto do professor.

Os níveis ontogenético, cultural e ambiental sugerem que fatores externos, como a qualidade da educação prévia, as condições socioeconômicas dos alunos, a presença de violência ou instabilidade em suas vidas, podem ter um impacto significativo em seu desempenho escolar. Esses fatores podem estar fora do controle direto do professor, mas ainda exercem uma influência profunda sobre o comportamento dos alunos na sala de aula.

O nível filogenético destaca que cada aluno é único, com suas próprias predisposições genéticas e características individuais que influenciam seu comportamento. Isso significa que, mesmo com o mesmo ensino e apoio por parte do professor, os alunos podem responder de maneiras diferentes com base em suas diferenças individuais. Portanto, os níveis de determinação do comportamento nos lembram que o fracasso escolar é um fenômeno complexo e multifacetado, e que atribuir toda a responsabilidade ao professor é simplificar demais a situação. Enquanto os professores desempenham um papel crucial, é importante reconhecer e abordar as influências externas que também contribuem para o sucesso ou fracasso dos alunos na escola.

Portanto, é fundamental refletir também sobre o papel de cada integrante do processo educacional, devendo o foco estar na responsabilização e não na culpabilização. Ou seja, trata-se de reconhecer o papel de cada um em uma educação que possa ser capaz de promover a transformação de um ensino e se questionar: o que eu como professor posso oferecer ao meu aluno que possa potencializar seu aprendizado? O que eu como pai posso contribuir para um fortalecimento da educação do meu filho? O que eu como Estado, posso oferecer para que haja uma educação mais plural e acessível à diversidade?

5          O podcast no Brasil e a comunicação

Conforme apontado pelo relatório da Data Reportal (2023), os brasileiros dedicam uma média diária de 1 hora e 17 minutos à audição de podcasts. De 2020, ano da pandemia, a 2023 houve um crescimento de 5,9% no consumo, levando o Brasil a se tornar o país que mais consome podcasts no mundo, com 42,9% dos usuários de internet, com idades entre 16 e 64 anos, ouvindo essa mídia todas as semanas.

O aumento do uso de podcasts pode ser explicado por várias razões, dentre elas a acessibilidade tecnológica, a diversidade de conteúdo disponível, a facilidade de acesso e a reduzida barreira de entrada para criação e divulgação. Como observado por Murta (2016), em contraste com as mídias tradicionais, como rádio e televisão, os podcasts oferecem facilidades de entrada e versatilidades que não são encontradas em nenhuma outra plataforma convencional: não é mais necessário depender do apoio estatal ou de grandes instituições para distribuir ou produzir conteúdo. Com a disseminação da internet, a dinâmica da comunicação se tornou mais horizontalizada, permitindo que uma pessoa que possua um celular e conectividade tenha à disposição a infraestrutura necessária para promover seu próprio conteúdo.

Seguindo esse passo, o uso de podcasts tem se revelado como um terreno fértil para dar voz a diversas perspectivas, disseminar conhecimento, fomentar a criatividade e introduzir novas formas de aprendizado interativo (Ferreira Júnior et al., 2024). Por tratar-se de uma plataforma de áudio que abriga conteúdos multifacetados, ouvir podcasts estimula a imaginação, evoca cenários e reconfigura narrativas, ao mesmo tempo em que aperfeiçoa a didática daqueles que fazem uso dessa ferramenta de comunicação. Aproveitar seu potencial como um meio para amplificar as vozes dos alunos é uma oportunidade que pode ser explorada neste contexto, pois viabiliza não somente o protagonismo desses estudantes (que podem criar seus próprios conteúdos e aprender com eles), como também dos professores, que podem utilizar desse meio para promover o seu ensino.

A incorporação da tecnologia – e, consequentemente, do podcast – na escola traz diversos benefícios. No entanto, seu uso também apresenta desafios que precisam ser superados. Alguns desses desafios incluem: a necessidade de capacitação dos professores; os custos de aquisição e  manutenção de dispositivos tecnológicos e infraestrutura; as distrações que esses dispositivos podem causar; a desigualdade digital onde nem todos alunos possuem meios de uso da tecnologia; a resistência à mudança, visto que alguns educadores e pais podem resistir à integração da tecnologia na sala de aula devido às preocupações com a perda da experiência educacional tradicional; a preocupação sobre os alunos se tornarem excessivamente dependentes da tecnologia para o aprendizado, em detrimento de habilidades essenciais, como a resolução de problemas; e a necessidade de gestão de tempo, onde os alunos possam usar a tecnologia de forma produtiva e equilibrada em relação a outras atividades.

Além disso, essa abordagem de ensino também requer uma estrutura pedagógica que forneça soluções e questionamentos, exigindo, assim, práticas educacionais específicas, que propiciem realmente o alcance dos objetivos traçados, compreendendo a tecnologia não somente como uma ferramenta ou plataforma a partir de sua mera usabilidade, mas também como uma tecnologia da linguagem onde a comunicação entre os sujeitos e os elementos escolares possam ser alcançados (Porto, 2006; Carvalho, 2020; Zacariotti & Sousa, 2020).

Neste ponto, por meio de uma visão científica e com eficácia de aplicação, dentro de uma perspectiva sistemática, a Análise do Comportamento busca instrumentalizar os educadores com as ferramentas necessárias, para que percebam e localizem as variáveis que interferem no desenvolvimento da construção do saber por meio de princípios comportamentais testados cientificamente em problemas da realidade (Lemos & Carvalho, 2015).

6          Metodologia

O Relato de Experiência (RE) em questão foi vivenciado durante as práticas de execução do projeto intitulado “Sala Inclusiva” desenvolvido entre os anos de 2020 a 2023, na cidade de São Luís, Maranhão, como etapa de conclusão de estágio II e III do curso de Psicologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Na etapa de elaboração do projeto, a equipe foi composta por três estagiários, sendo os encontros feitos de forma remota devido à pandemia de Covid-19. Posteriormente, no desenvolvimento e aplicação do projeto, mantiveram-se dois dos estagiários (sendo um deles baixa-visão), todos do curso de Psicologia da UFMA sob supervisão docente da universidade e da escola.

A abordagem metodológica qualitativa do trabalho pautou-se no RE dialogado e crítico, que visa realizar uma análise reflexiva dos dados coletados pelo autor em relação ao que a literatura aborda acerca da temática (Mussi et al., 2021). Assim, buscou-se estabelecer a construção de uma autocrítica e revisão sobre o trabalho realizado, analisando não apenas o aspecto teórico-empírico, mas também a perspectiva de quem o relatou.

A submissão ao Comitê de Ética de Pesquisa (CEP) se torna ineficaz, uma vez que não houve coleta de dados específica para este estudo. O material produzido no contexto de estágio através do Relato de Experiência foi coletado seguindo o Código de Ética Profissional dos Psicólogos (2007) por meio da avaliação dos riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como pela divulgação dos resultados, com o objetivo de proteger as pessoas, grupos, organizações e comunidades envolvidas. Foi garantido o caráter voluntário da participação dos envolvidos, mediante consentimento livre e esclarecido; o anonimato das pessoas, grupos ou organizações, salvo interesse manifesto destes; assim como o acesso das pessoas, grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos, após seu encerramento.

6.1   Etapas

Escolha de temas

A base para coleta de dados foi iniciada a partir do acesso a dados de entrevistas realizadas por estagiários de Psicologia da Universidade Federal do Maranhão no ano de 2019 (ano em que antecedeu o projeto do podcast). Com a leitura dessas entrevistas, foram coletadas informações que incluíam os seguintes eixos: 1) compreensão dos aspectos e possíveis dificuldades no trabalho com alunos com deficiência; 2) avaliação de como é a relação do professor com seu trabalho, com a escola e com os demais componentes da comunidade escolar; 3) averiguação de demandas de Saúde Mental/Psicológica por parte dos alunos e dos professores/funcionários (incentivar que não haja citação de nomes, apenas situações); 4) compreensão de como os professores percebem suas relações com os alunos, e relação dos alunos entre si (Ex.: bullying, amizade, relação de ajuda); 5) entendimento de como é a relação dos professores com os pais e familiares e como esses profissionais percebem o envolvimento daqueles nas atividades escolares; 6) reconhecimento através da fala da(o)s professore(a)s, dos pontos fracos e fortes da escola; e 7) questionamento acerca de temáticas relevantes para possíveis Formações e Rodas de Conversas.

 O material fornecido através dos estagiários que nos antecederam propiciou o levantamento de demandas que posteriormente foram organizadas em temáticas a serem discutidas em sala de aula à luz da Análise do Comportamento.

Ambientalização, planejamento e seleção.

O planejamento do podcast foi realizado a partir da elaboração das atividades de conversação em grupo, oficinas criativas de grupo e jogos inclusivos, para ambientar a presença dos estagiários na instituição, discutir as temáticas pré-designadas pelo autor deste artigo e selecionar os alunos a serem entrevistados para o podcast. Nesse contexto, a prioridade foi dos estudantes com cegueira, para as entrevistas focais.

Construção do podcast

Na construção do podcast, houve a elaboração de um roteiro base para a entrevista contendo o direcionamento da temática, criado pelo autor deste artigo e aprimorado a partir das informações abordadas em sala de aula, tanto com os professores quanto com os alunos. Após a gravação das entrevistas, os alunos poderiam se tornar entrevistadores e fazer sugestões para a próxima temática. Além disso, poderiam participar da elaboração do próximo roteiro e da escolha do(a) entrevistador(a), de maneira independente ou sob orientação dos estagiários da Psicologia.

Publicação dos episódios

Por fim, os episódios do podcast Sala Inclusiva foram publicados nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Anchor e Amazon Music e, posteriormente, nas redes sociais, nas plataformas do YouTube e Instagram[5]. Os estudantes com cegueira do projeto participaram ativamente da escolha do nome e do símbolo visual (lançado e publicado no Instagram com leitura audiodescritiva da imagem) do podcast. Após as gravações e publicações, sua divulgação foi feita em sala de aula e na TV da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)[6], por meio de matéria especial dentro da escola e por meio de anúncios no Instagram. Os episódios organizados do podcast produzidos foram, a saber:

a.                   O que é “Sala Inclusiva”? (Apresentação);

b.                   Futebol de cegos, acessibilidade e educação inclusiva (Episódio 01);

c.                   Maquiagem e pessoas cegas, saúde mental e processos de autoconhecimento (Episódio 02);

d.                   Paraolimpíadas, Educação física e Estudantes com Cegueira, Esporte e acessibilidade (Episódio 03);

e.                   A Escola de Cegos do Maranhão - parte 1 (Episódio 04); e

f.                    A Escola de Cegos do Maranhão - parte 2 (Episódio 05).

 

A edição de todos os episódios contou com tratamento de áudio realizado por inteligência artificial através do programa Adobe Podcast. As edições dos episódios, animações e vídeos foram feitas por meio do software Wondershare Filmora e distribuídos a partir do Anchor para as plataformas de streaming (Spotify, Amazon music, Anchor). Para a criação dos materiais visuais para as redes sociais utilizou-se o Photoshop e o Illustrator (todas as imagens publicadas possuíam texto alternativo com descrições das imagens). Para os stories publicados, houve audiodescrição.

7          Resultados e Discussões

A publicação do podcast Sala Inclusiva foi organizada em dois blocos: no primeiro bloco houve a publicação de quatro episódios, incluindo o episódio de apresentação, veiculados entre agosto de 2022 e abril de 2023. O segundo bloco consistiu na publicação de mais dois episódios, veiculados entre abril e maio de 2024. O planejamento inicial previa a publicação de episódios a cada 15 dias, visando estabelecer uma conexão regular com os ouvintes. No entanto, essa periodicidade não foi alcançada devido ao processo de edição dos episódios demandar tempo e por contar com apenas um único editor, que é autor deste trabalho.

O episódio de apresentação consistiu em uma introdução ao podcast, apresentando os idealizadores do projeto, seu público-alvo, objetivos e as temáticas a serem abordadas e contou com duração média de 2min. Os demais episódios obtiveram duração média de 50min. O roteiro feito pelos estagiários foi apresentado antecipadamente aos entrevistados, indicando as etapas do processo de entrevista, sendo entregue em PDF com antecedência e através de conversa minutos antes da entrevista, mediante apresentação e assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido. Todas as temáticas do podcast foram definidas segundo o interesse do aluno, o conteúdo programático da disciplina e as demandas dos atores escolares. Por isso, durante sua aplicação, o roteiro previamente estabelecido acabou sofrendo algumas modificações.

O episódio 01 contou com a participação de três integrantes em uma entrevista em grupo: um estagiário vidente (o presente autor do artigo), um estagiário baixa-visão (que também participou da execução do projeto e possui visão monocular) e um aluno com cegueira (como entrevistado focal). O aluno demonstrou interesse no podcast a partir de uma minigincana realizada pelos criadores do projeto, que discutiu “O Ensino Braile, seu histórico e suas contribuições”. Durante a minigincana os estagiários apresentaram a proposta e prontamente o aluno indicou seu interesse. A indicação também havia sido previamente dada pelos professores que enxergaram o potencial do aluno. A gravação do podcast aconteceu no contraturno.

Durante a entrevista propriamente dita, foram examinadas três realidades distintas com base na perspectiva de cada participante do podcast: de quem não possui deficiência visual, de quem possui uma deficiência visual (monocular) adquirida ao longo da vida, e de quem tem cegueira congênita. Além disso, a entrevista incluiu audiodescrições dos apresentadores e do entrevistado sobre suas características físicas e vestimentas. As questões discutidas em torno do entrevistado focal incluíram: a acessibilidade fora do ambiente escolar; o impacto político na construção de ambientes inclusivos; a importância de papéis inclusivos para as pessoas; e como a família e as redes de apoio contribuem para o desenvolvimento do indivíduo. Além disso, foram abordados os papéis da escola como ferramenta de potencialização dos alunos e as características do futebol para cegos, incluindo regras, composição técnica e diferenças em relação ao futebol tradicional. Foram discutidas também questões a respeito das perspectivas de futuro e profissionalização. Por fim, solicitou-se que o entrevistado fornecesse uma última mensagem para reflexão dos ouvintes como parte da conclusão do episódio. Esta última questão foi reproduzida em todos os outros respectivos episódios.

Assim como o episódio 01, o episódio 02 contou com a participação de três integrantes em uma entrevista em grupo, sendo os dois estagiários do projeto e a entrevistada focal uma aluna da instituição com cegueira congênita. A aluna foi selecionada com base em dinâmica de grupo realizada em sala sobre o tema: “Emoções e sentimentos: o que a Análise do Comportamento tem a ver com isso?”. A aluna foi convidada a participar do podcast e a gravação foi realizada prontamente no contraturno da escola. Durante a entrevista propriamente dita foram discutidas as seguintes temáticas: emoções e sentimentos e seus papeis no dia a dia; a ressignificação da dor emocional como forma de aprendizado para a vida; saúde mental e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG); a relação do eu com o outro e o mundo; a pandemia da Covid-19 e o isolamento social e a importância de um acompanhamento profissional adequado em saúde mental.

Para o episódio 03, o aluno que antes participou como entrevistado, indicou interesse e tornou-se entrevistador. Este aluno teve total liberdade para selecionar o entrevistado e definir o conteúdo da entrevista do início ao fim. Foi-lhe oferecida a possibilidade de receber orientações ou elaborar o roteiro de forma independente, sendo que optou pela última alternativa. O aluno conduziu sua entrevista com um dos professores, que possuía mais de 14 anos de experiência como treinador e educador físico na instituição. Durante a entrevista, foram abordados temas relacionados ao esporte dentro e fora da instituição, analisando as possíveis oportunidades dos atletas da escola no esporte. Além disso, discutiu-se o histórico do professor como treinador de futebol de cegos e suas perspectivas futuras como treinador e educador físico, tanto dentro da instituição quanto em um nível mais amplo, incluindo possibilidades na seleção brasileira.

Os episódios 05 e 06 foram responsáveis por fechar a primeira temporada do podcast. Neles, foram entrevistados o diretor em exercício da gestão da escola e sua antecessora (ambos cegos), em episódios distintos, mas complementares. Foram os responsáveis pela realização tanto os estagiários quanto o aluno com cegueira participante do episódio 01 e 03. Neles, foram abordados temas sobre a evolução da instituição dentro da perspectiva da educação inclusiva. Um breve histórico de suas gestões, assim como o potencial contributivo para os alunos dentro das iniciativas geradas pela escola e as experiências de cada um dentro de sua formação e mercado de trabalho.

Durante o processo de divulgação e lançamento do podcast, os responsáveis pelo projeto Sala Inclusiva realizaram visitas a cada sala de aula. Durante essas visitas, além de apresentarem um resumo em áudio de alguns episódios, os estagiários também identificaram possíveis alunos que poderiam integrar uma equipe para produção de uma segunda temporada, divididos entre videntes – que seriam responsáveis pelas edições do podcast – e alunos com deficiência visual – que seriam responsáveis por serem os entrevistadores. O objetivo dessa iniciativa foi fortalecer os laços entre os estudantes com e sem deficiência visual, uma vez que, de acordo com relatos dos atores institucionais, esses laços muitas vezes eram frágeis ou inexistentes, resultando em uma segregação entre os dois grupos. Alguns alunos demonstraram interesse e foram pré-selecionados para participar da elaboração da segunda temporada do podcast. Além disso, os estagiários (elaboradores do projeto) propuseram a criação de uma oficina de produção de podcast; contudo, essa iniciativa não foi concretizada até o término das atividades. Por fim, foi sugerido que a próxima equipe de estagiários poderia dar continuidade ao projeto, caso demonstrassem interesse pelo tema.

Na implementação do podcast, foram identificados diversos desafios consonantes com as discussões da literatura acadêmica, tais como a escassez de recursos tecnológicos, equipamentos e infraestrutura, os quais exercem influência direta na adoção de estratégias que incorporem a tecnologia como meio de aprendizagem. Embora uma parcela significativa dos alunos fizesse uso cotidiano de dispositivos celulares na escola, existem aqueles desprovidos desse recurso. Diante desse cenário, o professor deve estar atento a medidas resolutivas, visando evitar a exclusão. A disponibilização de computadores em horários pré-estabelecidos para uso dos alunos e o empréstimo de dispositivos como o celular por períodos determinados são exemplos de abordagens que podem ser adotadas para enfrentar essas deficiências.

Além disso, a falta de capacitação dos professores para integrar a tecnologia como ferramenta de ensino eficaz também se apresenta como um desafio relevante. Essa realidade decorre, em parte, da formação docente, a qual frequentemente carece de conteúdos que habilitem os educadores a utilizar a tecnologia de forma apropriada para promover uma alternativa de ensino enriquecedora na sala de aula, capaz de estimular os alunos.

Ao se tratar de alunos com deficiência visual, tais considerações adquirem uma relevância ainda maior, visto que o professor necessita também compreender o funcionamento dos softwares destinados a este público específico, demandando, portanto, uma formação especializada na área, para que possa haver uma educação acessível e inclusiva.

Nesse sentido, é responsabilidade do estado promover recursos e capacitações aos professores da escola para que eles possam oferecer um ambiente de aprendizagem inclusivo. Essa responsabilidade estatal é fundamentada no princípio da igualdade de acesso à educação de qualidade para todos os cidadãos, independentemente de suas circunstâncias individuais (Brasil, 1996).

Capacitar os professores é crucial para que possam atender eficazmente às necessidades diversificadas de seus alunos. Isso envolve não apenas formação específica em educação inclusiva, mas também uma formação continuada para que possa haver o desenvolvimento de habilidades pedagógicas que permitam aos professores adaptar seu ensino para atender às necessidades individuais de cada aluno, mesmo que na formação inicial não tivessem tido acesso a esses estudos. Isso inclui estratégias para lidar com a diversidade na sala de aula, adaptação de materiais e currículos, o uso eficaz de tecnologias assistivas etc.

Para além dos muros escolares, o Estado também necessita possibilitar o acesso a meios que esses alunos possam ter acesso à educação, seja por meio de transporte acessível, sinalizações e pisos táteis, calçadas e passagens seguras, material didático específicos e outros. É de fundamental importância uma sociedade que permita a diversidade. Em outras palavras, como citado no episódio 01 por um dos entrevistados: “A gente como a sociedade forma um par. Para que esses pares sejam verdadeiramente iguais a gente tem que se adequar à sociedade, e a sociedade tem que se adequar à gente.”

Em outras palavras, é necessário um movimento no qual exista uma via de mão dupla. Ambos estão intrinsecamente ligados, e um influencia o outro. Durante os dois anos estagiando na instituição, entretanto, a 30 segundos a pé de distância da escola, o que se observou foram postes em meio a piso táteis descolados do chão. Três anos depois, mesmo após a instalação de novos pisos, como barreira, uma placa permanecia no meio do piso tátil, no mesmo ponto. Como evidencia o próprio entrevistado no episódio 01: “A gente pode até tentar se adequar à sociedade, mas a sociedade ainda resiste a se adequar à gente”.

O podcast surgiu nesse contexto, como possibilidade de abertura desse enlace onde a sociedade está afastada da proposição de uma prática inclusiva seja na educação, seja no dia a dia. Visou transportar o ouvinte para um universo onde fosse possível se pensar na acessibilidade, na equidade, na diversidade e na valorização do outro. Tudo através da passagem do conhecimento e da transmissão de vivencias a partir da realidade desses alunos e do seu universo. Como reafirma o mesmo entrevistado, após indicar a importância da continuidade do projeto: “Vamos em frente, vamos continuar trabalhando e mostrando pra sociedade o nosso potencial, que nós também podemos. Que nós não somos diferentes, mas que podemos fazer a diferença”.

Para além disso, o presente trabalho visou demonstrar como a Análise do comportamento possui ferramentas que podem direcionar os atores escolares numa educação libertadora, que busca promover a autonomia, o protagonismo e a independência dos alunos por meio de metodologias alternativas à punição, por meio de práticas verdadeiramente efetivas como: o reforço positivo, a divisão de tarefas, o feedback construtivo, o ensino individualizado, modelos de comportamento, estabelecimentos de objetivos claros, etc.

A análise do comportamento demonstra que para o desabrochar da capacidade do aluno, basta os estímulos certos. Ou, como evidencia outra entrevistada do podcast, em reportagem produzida pela TVUFMA sobre o Sala Inclusiva: 

Participar do podcast foi muito bom porque nem eu mesma sabia que eu tinha essa desenvoltura. Eu decidi que eu queria participar, mas eu fiquei um pouco com medo e... mas eu fui na fé e deu tudo certo quando eu terminei de falar eu fiquei analisando e eu falei: ‘Nossa nem eu mesmo sabia que eu era capaz’. E aí eu fiquei muito feliz e eu descobri que eu tenho sim capacidade [sic].

 

8          Considerações finais

Ao iniciar-se o trabalho, evidenciou-se que o ensino sob a perspectiva da educação inclusiva apresenta uma série de desafios na educação de pessoas com deficiência visual, os quais se tornaram ainda mais insurgentes com a eclosão da pandemia. Portanto, tornou-se imperativo investigar de que forma o uso de podcasts, como possibilidade tecnológica para o ensino à distância, poderia contribuir como ferramenta de educação e inclusão para estudantes com cegueira.

Pôde-se perceber então, com base nas análises, que o podcast é uma valiosa ferramenta de apoio à educação e promoção do protagonismo de estudantes com cegueira, que pode ser observada nos mais amplos contextos, seja na promoção da autonomia do sujeito, no desenvolvimento das habilidades pessoais, no estímulo a criatividade ou em tantos outros aspectos.

A pesquisa partiu da hipótese de que o uso do podcast é uma estratégia promissora para promover a aprendizagem e a inclusão desses estudantes. Durante o desenvolvimento do trabalho, verificou-se que essa hipótese foi confirmada com base no próprio relato de experiência, inclusive por meio de feedback de uma das entrevistadas do projeto.

Entretanto, é crucial destacar que o uso de tecnologias como o podcast ainda enfrenta uma série de desafios e barreiras, como a falta de recursos, baixa profissionalização, baixo incentivo do governo etc., evidenciando a necessidade de políticas de incentivo que trabalhem essas questões.

A análise crítica e dialogada empreendida ressaltou a importância de dar voz às pessoas, especialmente em um contexto em que as deficiências são muitas vezes invisibilizadas, não apenas pelo governo, mas principalmente pela sociedade.

Diante da metodologia empregada, percebe-se que o trabalho poderia ter sido iniciado com oficinas de podcast, possibilitando que os alunos tivessem mais interações com alunos videntes e mais autonomia para dar continuidade ao projeto sem depender de outros estagiários.

O presente estudo não teve como propósito abranger todas as discussões pertinentes ao tema, nem exceder as contribuições da perspectiva da Análise do Comportamento. Sugerimos, portanto, a exploração de conceitos que ultrapassem os limites do que foi contemplado nesta pesquisa e discussões mais detalhadas sobre a utilização de podcasts a partir da visão das desigualdades sociais, tema pouco explorado na pesquisa.


 


REFERÊNCIAS

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Recebido em: 01 de outubro de 2024

 

Aceito em: 02 de setembro de 2025

 

Publicado em: 09 de outubro de 2025



[1] Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

[2] Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

[3] O termo podcast surgiu em 1994, cunhado por Adam Curry, e resulta da união das palavras iPod (dispositivo de reprodução de áudio/vídeo) e broadcast (método de transmissão ou distribuição de dados). Diferentemente da simples gravação de áudio que ocorre através de algum equipamento elétrico de gravação e reprodução de ondas sonoras, o podcast é uma mídia digital que consiste em arquivos geralmente episódicos, disponibilizados online para audição sob demanda (Bottentuit & Coutinho, 2007).

[4] O título deste capítulo é o mesmo dado por B.F. Skinner no capítulo V de seu livro Tecnologia do Ensino (1972)

[5] Acesse o podcast nas diversas plataformas clicando nos links a seguir. Spotify: https://open.spotify.com/show/4mVOjqJU8DIm6vs3w2fIxE. Anchor: https://anchor.fm/podcastsalainclusiva. Amazon Music: https://music.amazon.com/podcasts/13110ceb-d6bb-41ce-ab3d-2450f49eadfb/sala-inclusiva. Página do Instagram: https://www.instagram.com/salainclusiva/.

 

[6] Acesse a “Reportagem na TVUFMA - O Podcast Sala Inclusiva” no link a seguir: https://www.instagram.com/p/Cx0jYmuuQeE/.