Violências epistêmicas, colonialidades e fronteiras de África: saberes, poderes e territórios

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Rodrigo Corrêa Teixeira

Resumo

As violências epistêmicas e as colonialidades moldaram profundamente os saberes, os poderes e os territórios africanos. Historicamente, a partir da configuração do Sistema-Mundo Moderno, elementos de um conhecimento eurocêntrico desqualificaram e subalternizaram as cosmologias, as ontologias e as epistemologias africanas. Essa dominação não se restringiu apenas ao plano intelectual, mas se desdobrou em estruturas de poder que redefiniram fronteiras, fragmentaram territorialidades ancestrais, ao mesmo tempo que outras configurações se delinearam:  a natureza transformada em recursos naturais amplamente exploráveis, caminhos impostos para drenagem de seres humanos e mercadorias extraídos numa pilhagem no transcurso de séculos. As fronteiras arbitrárias do período colonial, por exemplo, foram tanto utilizadas na perspectiva de "dividir para dominar", quanto no viés de "agregar para dominar". Ou seja, interrompeu-se configurações tradicionais na organização das gentes e das terras, das sociedades e dos territórios, e se impôs ordenamentos hegemônicos. No entanto, para além dos instrumentos de controle e exploração, houve continuamente sobrevivência, resistência e existência da agência africana em busca da autonomia roubada dos saberes subalternizados. Busca-se caminhos para redefinições de identidades e territórios, em diálogo com as ancestralidades, mas também articulada com outras possibilidades de existir, necessárias para as emancipações do século XXI.

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Como Citar
Corrêa Teixeira, R. (2026). Violências epistêmicas, colonialidades e fronteiras de África: saberes, poderes e territórios. AbeÁfrica: Revista Da Associação Brasileira De Estudos Africanos, 12(12), 125–141. Recuperado de https://periodicos.ufabc.edu.br/index.php/abeafrica/article/view/1614
Seção
Dossiê