Ciência geográfica e geo-grafias: reflexões quanto à geopolítica do conhecimento a partir do contexto africano
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Resumo
O artigo problematiza como a institucionalização da ciência geográfica no século XIX esteve profundamente articulada ao projeto colonial, expandindo-se pelo continente africano por meio de universidades, sociedades geográficas, revistas acadêmico-científicas e redes transnacionais de produção do conhecimento sustentadas por continuidades hegemônicas, mas também constantemente tensionadas por resistências e negociações locais. A partir de uma abordagem contextual, discute-se como a geografia moderna participou da produção colonial do espaço africano, expressando-se nos modos de ver, organizar, representar e nomear territórios, populações e fenômenos geográficos. O texto também analisa a consolidação do ensino superior de geografia em alguns países africanos, evidenciando suas particularidades históricas, disputas curriculares e relações com os processos de colonização, independência e construção nacional. Por fim, enfatiza as trajetórias e conexões intelectuais de autores africanos e da diáspora, como John Augustus Otunba Payne (1839 - 1906), Akinlawon Ladipo Mabogunje (1931 - 2021) e Milton Santos (1926 - 2001), destacando como suas experiências e interlocuções transatlânticas contribuíram para tensionar a centralidade euro-estadunidense na história da disciplina. Quando essas geo-grafias insurgentes se encontram e articulam redes transnacionais, abrem-se caminhos para um pensamento Sul situado, comprometido tanto com as realidades locais quanto com uma reconfiguração global da produção do conhecimento geográfico.
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