Arquivo, literacia e resistência: notas sobre manuscritos “nativos” na série Moçambique do fundo do Conselho Ultramarino do Arquivo Histórico Ultramarino
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Resumo
O presente artigo pretende apontar para as potencialidades de pesquisa por serem desenvolvidas, a partir de uma proposta historiográfica específica, sobre as fontes coloniais portuguesas salvaguardadas em uma série documental que não se encontra totalmente inventariada pelo Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), localizado em Lisboa, nomeadamente a série Moçambique do Fundo do Conselho Ultramarino do AHU. O objetivo do texto é de apresentar o trabalho de recolha de fontes na referida série e os desafios encontrados ao longo da pesquisa realizada para a construção de uma base de dados elaborada no âmbito do projeto INDICO - Arquivos coloniais nativos: micro-histórias e comparações. Tendo como proposta a promoção de uma leitura das entrelinhas da organização arquivística normalmente empregada pelo AHU, lançou-se luz sobre os documentos cuja autoria, individual ou coletiva, poderiam ser atribuídas a grupos ou indivíduos denominados como “nativos”. O primeiro intuito desta atividade foi a de evidenciar a existência de práticas de literacia elaboradas por populações “nativas”, especialmente na interação com o poder imperial português. Este trabalho torna assim possível identificar, a partir de dentro de um arquivo originalmente produzido com o intuito de apoiar a administração colonial portuguesa, múltiplas lógicas nativas de escrita e arquivamento. Ao mesmo tempo, o texto tem como objetivo apresentar algumas hipóteses de análise historiográfica a partir da documentação recolhida, com respeito (i) à relação entre literacia e resistência à presença colonial portuguesa na região norte do atual Moçambique; e (ii) à relação entre as fontes escritas para o acesso ao passado colonial e a organização arquivística da documentação histórica presente no AHU.
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